Continuando nosso hábito de compartilhar nossas leituras, a
estrela da vez é a Harper’s Bazaar Brasil. Devo dizer que eu a-do-ro essa
revista.
Na minha opinião, ela vale super a pena, pois é tão pesada (e
tão cara) quanto a Vogue, ela traz mais ou menos as mesmas coisas em matéria de
tendência (incluindo as mesmas milhares de propagandas), mas ela tem bem mais
matérias interessantes para se ler e muito endereço de referência para
consultar (ou comprar, of course!).
Recortes extraídos da Bazaar de Abril, que depois vão para o mural de inspirações |
O editorial é bem curto, assinado pela Maria Prata, e fala
com muita ênfase da modelo brasileira Daniela Braga, que realmente enfeita a
capa desta edição, por ela ter brilhado nos desfiles das grandes marcas
internacionais. Legal mesmo ver gente nossa acontecendo lá fora! E fala um
pouquinho também da tendência fortíssima das peles (fakes e não fakes, eis a
questão) e das rendas, que foram o foco de 9 entre 10 coleções internacionais.
A revista, neste mês, está apostando fortemente nas tendências
do militarismo, do bordô, muito preto, prata e couro, um pouco de floral
escuro, e o estilo boho, com as suas peles e chapéus.
Adorei a ênfase no preto, com muito metal prata. É isso
mesmo que temos visto nas vitrines a fora. Curti, porque assim o nosso básico
volta a ser o preto, após tanto tempo curtindo o nude e o cinza. Nos metais, o
prata volta de um longo e tenebroso inverno. Claro que o dourado é clássico e
nunca vai sair de moda. Mas o momento está mais para prata. O que combina
perfeitamente com o vinho, tão comentado por aqui já.
Achei a produção de moda da revista muito rica, belíssima.
Mas a que eu mais gostei das três (militar, preto com bordô e boho) foi a do
estilo boho. As fotografias estão lindíssimas e ao invés de usar o costumeiro
marrom, o foco foi no preto, o que deixou tudo bem mais sofisticado.
E quanto às peles, qual a opinião de vocês? Na boa, eu
sempre achei bizarro e cafoníssimo usar peles verdadeiras de animais. Massss
parece que a prática, que já estava meio deixada no passado, está voltando à
moda, vez que muitas marcas que lançam suas tendências para o mundo desfilaram
peças verdadeiras na última temporada de moda internacional.
E as peles fakes? Bom, assume-se que é fake, e usa-se mais
como uma brincadeira, né? Um coletinho até que é bem legal... mas não é algo
muito fácil de se usar no mundo real, não é mesmo?
Pelo jeito, as revistas brasileiras de moda compartilham a
mesma posição que eu, porque muito embora as peles tenham sido mencionadas fortemente
no editorial da revista, quem não o leu, passou sem perceber a tal “tendência”,
porque a Bazaar colocou só um pedacinho pequenininho de meia página, sem muito
destaque para o assunto, exatamente como na imagem acima. Parece que elas não quiseram se envolver na
polêmica... :-/
Falando das matérias, a que mais me interessou, por razões óbvias,
foi a de título “Pavão Misterioso”, sobre a Suzy Menkes, uma crítica de moda
analítica inglesa muito respeitável, que ainda trabalha no estilo low-profile,
como faziam os profissionais da moda antes da internet. Ela criou uma mega polêmica, chamando as blogueiras de "pavões".
Antes, os grandes figurões da moda se reuniam em “locais
secretos” para ver os desfiles importantes, e isso era algo de grandioso
glamour. Após os blogs de moda e tantas máquinas fotográficas disparando
flashes do street style da galera a todo momento, isso mudou muito. Aliás, bom
que se diga, todo o universo de moda mudou, e hoje muita gente participa, e é
assim que tem que ser mesmo.
As blogueiras já ocuparam o seu espaço na moda e hoje são
responsáveis por uma importante fatia do consumo daqueles produtos que elas
estimulam.
A parte que ela tem razão é que realmente, em eventos de
moda, muita gente tá usando tudo ao mesmo tempo, e ao invés de parecem bonitas,
ficam parecendo que estão fantasiadas. E no Brasil a gente ainda é discreta.
Quem acompanha as fotos de style das temporadas de Paris, Nova York e Milão
sabe exatamente do que estamos falando.
De qualquer modo, gostei da posição da revista: a moda tem
espaço para todos, mas isso não tem nada a ver com “não saber conversar sem
citar a marca da hora, a peça do momento ou a festa ou o lugar para quem quer
ser visto”. Moda não pode escravizar. Moda é diversão!
Lu Figueiredo
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